Volkswagen cobra assinatura para liberar potência total de carros elétricos

Você pagaria? A Volkswagen passou a cobrar pagamento adicional para que proprietários no Reino Unido possam usar toda a capacidade dos modelos elétricos ID.3 Pro e Pro S. Entregues originalmente com 201 cv, eles podem alcançar os 228 cv completos por meio de uma cobrança de atualização opcional de potência, desde que o comprador opte por assinatura.

Segundo a marca, essa estratégia não é novidade. Ela a compara com práticas antigas da indústria: “oferecia-se o mesmo motor em versões com potência variável, agora transformadas em assinaturas acessíveis a qualquer momento da vida útil do veículo, sem custo inicial mais elevado”. A empresa ressalta que a ativação da potência extra não afeta a autonomia.


(Divulgação / Volkswagen)

A montadora oferece três modalidades de contratação: mensal, a £16,50 (em torno de R$ 121), anual, por £165 (aproximadamente R$ 1,2 mil), ou vitalícia, por £649 (cerca de R$ 4,7 mil) e valor acompanha o veículo, não o proprietário, e pode ser transferido ao vender o carro. Além disso, a Volkswagen oferece um mês de teste gratuito para que o motorista sinta a diferença do desempenho.

Apesar do argumento, a iniciativa gerou críticas. Afinal, cobra-se por desempenho já incorporado no carro. A estratégia já fora aplicada pela BMW em 2022, cobrando por funcionalidades como bancos aquecidos, que também já vinham instalados, e foi amplamente rejeitada pelos consumidores, tanto que a fabricante desistiu da ideia depois. Outras marcas, como a Polestar, também oferecem “desbloqueios de desempenho” como opção pós-compra. A Mercedes, por sua vez, testou nos Estados Unidos uma assinatura para aumentar a aceleração de seus modelos elétricos.

O ceticismo dos consumidores acompanha essa nova abordagem: pesquisa da S&P Global indica que a disposição de pagar por serviços conectados caiu de 86% em 2024 para 68% em 2025, reflexo da insatisfação com pacotes pagos para funções que muitos consideram básicas. Ainda assim, o mercado de assinaturas continua em ascensão; a consultoria Juniper Research projeta que até 2028 a economia global desse modelo alcance quase US$ 1 trilhão.

2025-08-18T09:09:30-03:00
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