O Brasil iniciou uma nova fase de estudos para aumentar a proporção de biocombustíveis nos combustíveis fósseis. A proposta inclui elevar o teor de etanol na gasolina para até 35% (E35) e o de biodiesel no diesel para até 25% (B25). A iniciativa faz parte das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, e busca validar tecnicamente essas mudanças antes de qualquer liberação comercial.

(Divulgação / Autoimpact)
Com investimento estimado em R$ 30 milhões, os testes serão conduzidos ao longo de três anos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), em parceria com universidades, centros de pesquisa, montadoras e produtores de biocombustíveis. O foco está na análise de desempenho, durabilidade e segurança dos veículos com essas novas misturas.
Os estudos foram estruturados para gerar dados técnicos confiáveis sobre o impacto do aumento de biocombustíveis nos motores. Isso inclui testes laboratoriais e avaliações em condições reais de uso, considerando diferentes tipos de veículos, sistemas de injeção e tecnologias automotivas.
Entre os principais pontos analisados estão:
- Desempenho do motor: resposta, potência e eficiência energética;
- Durabilidade de componentes: vida útil de peças como bicos injetores, bombas e válvulas;
- Compatibilidade dos sistemas: funcionamento adequado com novos teores de etanol e biodiesel;
- Segurança operacional: estabilidade do combustível e riscos de falhas;
- Dirigibilidade: comportamento do veículo no uso diário.
O objetivo é entender se os motores atuais, tanto flex quanto a diesel, conseguem operar com essas misturas sem comprometer o funcionamento ou exigir adaptações técnicas relevantes.
Gasolina com mais etanol pode afetar o carro?
O aumento da porcentagem de etanol e de biodiesel também tem o propósito de reduzir dependência de combustíveis fósseis e pode trazer benefícios e desafios. O etanol é um combustível renovável, com menor emissão de poluentes, o que contribui para metas ambientais. No entanto, ele possui características diferentes da gasolina, como maior poder solvente e menor densidade energética.
Isso significa que:
- Pode haver alteração no consumo de combustível, dependendo do motor;
- Sistemas mais antigos podem sofrer com desgaste acelerado de componentes;
- Motores modernos, especialmente os flex, tendem a ter melhor adaptação tecnológica.
No caso do diesel com maior teor de biodiesel, o impacto também envolve fatores como estabilidade do combustível e possíveis resíduos no sistema de injeção. Por esses motivos a validação técnica é essencial antes de qualquer mudança no mercado e os testes vão fornecer respostas concretas sobre a viabilidade dessas novas misturas.
Apesar do avanço nos estudos, a gasolina com 35% de etanol (E35) e o diesel com 25% de biodiesel (B25) ainda não estão liberados para uso comercial no Brasil. A iniciativa atual tem caráter exclusivamente científico e regulatório.
Os testes com gasolina E35 e diesel B25 representam um passo importante na evolução dos combustíveis no Brasil, com foco em sustentabilidade e eficiência energética. No entanto, a prioridade é garantir que essas mudanças não prejudiquem o desempenho, a durabilidade e a segurança dos veículos.
FAQ
Gasolina com 35% de etanol já está disponível?
Não. A mistura ainda está em fase de testes e não foi liberada para uso comercial.
O aumento de etanol pode prejudicar o motor?
Depende do veículo. Motores modernos são mais preparados, mas testes vão confirmar a compatibilidade geral.

