Hidrogênio como combustível: UFSM apresenta primeiro carro a combustão movido a hidrogênio do Brasil

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deu um passo inédito rumo ao futuro da mobilidade sustentável ao apresentar o primeiro carro a combustão interna movido a hidrogênio do Brasil. O projeto, desenvolvido no Laboratório de Motores do Centro de Tecnologia da UFSM, marca a entrada da universidade na vanguarda do setor automotivo nacional, ao explorar uma das soluções mais promissoras para reduzir emissões veiculares: o hidrogênio como combustível limpo.


(Divulgação / UFMG)

Diferente das tradicionais células a combustível, que transformam hidrogênio em eletricidade, o veículo Fiat Siena desenvolvido pela UFSM mantém o motor a combustão, mas utiliza o hidrogênio como combustível principal. Isso significa que o carro mantém suas características originais, mas emite apenas vapor d’água pelo escapamento, tornando-se praticamente neutro em poluentes.

Essa conversão faz parte do trabalho de conclusão de curso do estudante de Engenharia Mecânica Augusto Graziadei Folletto, integrante do Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões (GPMOT). Orientado por professores do Departamento de Engenharia Mecânica, o projeto mostrou que é possível adaptar veículos a gasolina para operar com hidrogênio, utilizando tecnologias de controle avançadas e soluções práticas de retrofit.

Um marco dentro do Programa Rota 2030

A iniciativa está inserida no Programa Rota 2030 – Mobilidade e Logística, estratégia do Governo Federal para fomentar inovação e eficiência energética no setor automotivo. O veículo foi desenvolvido com apoio de diversas instituições de pesquisa, como CNPq, Finep e Fapergs, além da FUNDEP, por meio da chamada pública nº 3/2021.

Empresas parceiras do setor, como Marelli, TCA-HORIBA e FuelTech, também participaram oferecendo suporte técnico e componentes essenciais, como o sistema de controle eletrônico do motor. Essa cooperação universidade-indústria é um exemplo de como a inovação pode ser acelerada no Brasil.

Hidrogênio verde: combustível do futuro?

Segundo a UFSM, o potencial do hidrogênio como alternativa aos combustíveis fósseis é enorme, especialmente quando produzido de fontes renováveis, como energia solar ou eólica. Conhecido como hidrogênio verde, ele pode abastecer não apenas veículos leves, mas também aplicações industriais, transporte pesado e geração elétrica.

Atualmente, o principal desafio para a adoção em larga escala ainda está na infraestrutura: produção, armazenamento e distribuição do hidrogênio. No entanto, a expectativa é que entre 2030 e 2040 o combustível ganhe força no mercado, impulsionado pela descarbonização da economia e pelo avanço tecnológico.

O projeto do carro a hidrogênio é apenas uma das iniciativas do Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões da UFSM, que também trabalha com motores movidos a biocombustíveis, células a combustível e protótipos premiados, como os do time Bombaja H2. O objetivo é claro: desenvolver tecnologias que reduzam a pegada ambiental do transporte e preparem o Brasil para uma mobilidade mais sustentável, eficiente e competitiva.


FAQ:

Como funciona um motor a combustão movido a hidrogênio?
É um motor tradicional adaptado para queimar hidrogênio no lugar de gasolina, emitindo apenas vapor d’água como subproduto.

Hidrogênio verde é viável para carros?
Sim, desde que produzido com energia renovável. A expectativa é que sua viabilidade aumente com a expansão da infraestrutura até 2040.

2026-02-13T08:06:11-03:00janeiro, 2026|Mercado|
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